Mariana Ferreira 26 de junho de 2015

Quem tem medo da inovação?

Em maio, fomos no 2º Fórum de Inovação na Fiergs. Algumas palestras eram mais voltadas para indústria e mais “quadradas”, como a do Markus Will, Diretor da Fraunhofer – Institute for Production Systems and Design Technology IPK, da Alemanha.

Porém, a palestra do Rowan Gibson, do Reino Unido, mexeu com alguns empresários que estavam na platéia. Rowan é um pensador em inovação empresarial que escreve livros e dá workshops e palestras pelo mundo todo. Seu livro mais recente é “The 4 lenses of innovation” em que ele aborda 4 pontos: desafiar o ortodoxo, aproveitar tendências, alavancar recursos e entender necessidades. Todos os pontos são importantes, mas gostaria de destacar principalmente o primeiro e o último. Eu me pergunto como podem grandes empresas trabalharem por 50 anos ou mais seguindo uma mesma lógica e ainda trabalharem “no escuro” quando se trata dos desejos e necessidades do seu consumidor? E quando me refiro a conhecer as necessidades e desejos, não acredito que seja eficaz somente perguntar para o consumidor “o que você precisa ou gostaria?”. Pelo contrário! Tem muitas questões que o consumidor não consegue responder verbalmente, por isso é preciso usar diferentes técnicas de pesquisa do comportamento do consumidor e mergulhar no universo dele, seja sua casa, seu trabalho, seu guarda-roupa, seu carro, suas relações. É preciso fazer um estudo para compreender o que está nas entre linhas e olhar o mesmo aspecto por diferentes pontos de vista. Por isso que equipes multidisciplinares são tão ricas: elas te abrem várias perspectivas.

Algumas empresas ainda tem uma postura, pode-se dizer arrogante, em que acreditam que o que eles fabricarem o cliente vai comprar. Foi por não entender o seu consumidor e por não buscar inovação que muitas empresas praticamente “sumiram do mapa” como, por exemplo, a Kodak, que criou a máquina fotográfica digital e não levou adiante porque poderia prejudicar o seu negócio!

Foi o medo de arriscar e inovar que levou a empresa a pedir concordata.

In the other hand, Rowan citou várias empresas inovadoras que arriscaram e hoje colhem os frutos por isso, e eu diria muitos frutos e frutos enormes como Tesla, Cirque du Soleil, Ikea, Amazon e Netflix. Sem falar das gigantes Apple, Google e Facebook.

A palestra do Rowan foi inspiradora, mostrou como é possível e importante se reinventar e me deixou com várias perguntas na cabeça!